Música nas Estradas da Abanassínia

Nienna de Haven

Desde a mais tenra idade, era com música e poesia que Nienna sonhava. Seu coração se enchia de alegria ao ouvir os mais belos versos da boca de bardos e bardas que viviam ou passavam pela sua região. Ver aqueles artistas era uma realização para a moça, e ela desejava um dia seguir pelos mesmos caminhos da arte e da aventura. Para sua sorte, havia uma escola pequena para bardos em sua cidade, Haven, e lá ela estudou por alguns anos a magia primordial, instrumentos diversos, oratória, a arte da guerra, montaria e muitas outras habilidades fundamentais para menestréis, trovadores e toda a sorte de bardos que existem.
Quando Nienna ficou um pouco mais velha, os seus pais, que eram comerciantes como a maioria dos habitantes de Haven, começaram a levá-la em viagens curtas pela Abanassínia. Como era maravilhoso acordar com a aurora e ver novos lugares a cada dia! Muitos versos foram feitos por Nienna para descrever os lugarejos visitados. Começava a crescer nela o desejo de ir além, mas o medo dos perigos de uma viagem a só fez com que a linda moça permanecesse apenas aprendendo antigas lendas e viajando para terras distantes em sua imaginação. A escola de bardos de Haven foi seu refúgio, fornecendo a ela toda sorte de contos, versos e canções de toda Ansalon, mantendo nela a esperança de que um dia a sombra da grande dragoa verde Berilo se fosse, para que ela criasse a coragem necessária para sair de Haven e ir à terras distantes conhecer culturas e tocar suas canções. Mas a sombra não se foi, e rumores sobre a constante presença de goblins nas planícies ficavam mais comuns. A coragem de Nienna não veio, e o tempo passou nessa relativa monotonia, entre uma viagem em caravana mercantil e outra. Entre uma apresentação musical pública e outra… Até que as músicas de Nienna se tornaram tristes, pois seus pais morreram com idade avançada e agora ela estava só. Era o início do ano de 421 Após o Cataclismo (AC)…

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Foi em um dia colorido com a chegada das caravanas de mercadores do leste e do norte que uma jovem oradora chamou a atenção de todos na praça central de Haven:
– OUÇAM TODOS!!! AS NOTÍCIAS QUE TRAGO MUDARÃO OS RUMOS DA ABANASSÍNIA E DE ANSALON!
Nienna estava na praça, comprando tecidos dos mais diversos, trazidos de Kalaman, e imediatamente parou para ouvir a voz aguda e gritada.
– MORREU NO ÚLTIMO DIA DE TROCAR, NA FLORESTA DE QUALINESTI, A VERDE!!! OS ELFOS E OS CAVALEIROS DE NERAKA A ENFRENTARAM HEROICAMENTE!!! A CIDADE DE QUALINOST SUCUMBIU E FOI DESTRUÍDA NA BATALHA!!! A REGIÃO ESTÁ LIVRE DA AMEAÇA DA DRAGOA!!!
A moça repetiu cada vez mais alto, até que todos a tinham ouvido e passavam a notícia adiante. Gritos de alegria e esperança surgiam na multidão, em meio a aplausos e outras manifestações exaltadas. Então a oradora continuou, já com a atenção de todos:
– SURGIU EM ANSALON UMA NOVA ESPERANÇA. MINA, A SACERDOTISA, TRÁS A NOVA DO DEUS ÚNICO, E SEUS EXÉRCITOS CHEGARAM À ABANASSÍNIA PARA PROTEGER À TODOS!!!
Dessa vez olhares espantados eram trocados, mas a alegria continuava intensa. Um misto de surpresa e contentamento tomou a cidade naquele dia de trocar, e nem a brisa gelada afastou a população das ruas. Seria comemoração até que toda a cerveja trazida pelos mercadores de Willik tivesse acabado. A notícia do Deus Único foi pouco lembrada. O que importava era a sensação de segurança. Apenas os mais esclarecidos pensaram cautelosamente no que haviam ouvido.
Nienna, como a maioria das pessoas ficou eufórica. Era sua chance de viajar e ir a lugares que ela só conhecia na imaginação. Seus estudos na escola de bardos tinham sido o suficiente. Ela tinha reservas de dinheiro muito boas deixadas pelos seus pais que poderiam ser bem úteis, e além do mais, seguir em frente com essas notícias pela Abanassínia era uma grande forma de realizar o sonho de infância de ser uma artista errante. Nos dias que se seguiram ela se preparou com tudo que podia, conheceu alguns forasteiros que seguiriam viagem e partiu com eles para Solace.
Nienna chegou à linda cidadela construída sobre as grandes árvores pela noite. Seu primeiro plano era descansar e ela buscou a chamada Hospedaria do Último Lar. Ela se surpreendeu com a quantidade de pessoas que chegava na cidade e com os olhares desconfiados daqueles que pareciam nativos. Entre os que chegavam, havia uma grande quantidade de homens vestidos com armaduras iguais pintadas com um emblema de um crânio partido andando pelas ruas. Ela teve um mal pressentimento com toda a situação, mas o cansaço era muito grande, e ela continuou seguindo em frente. No dia seguinte ela daria as grandes notícias que ouvira em Haven para todos. Ela subiu as escadas da Hospedaria, chegando no alto da árvore onde ela ficava. Abriu a porta e ouviu o grande barulho. Estava cheia! Talvez a notícia que ela estava espalhando já tivesse sido espalhada… Mas agora o que importava era descansar. Isso bastava. A Hospedaria era um ótimo lugar, e assim que Nienna se sentou uma bela mulher de cabelos negros cacheados se aproximou para servi-la… Nienna deixou de lado por um instante o mau pressentimento, que logo voltou quando ela viu alguns homens de preto entrarem e ameaçarem a paz no local. A situação ficou ainda pior quando ela percebeu os olhares de muitas pessoas para ela, e ouviu alguns comentários de apreensão com a presença de estrangeiros, a despeito da fama de Solace em acolher a todos os viajantes. Estava tudo muito estranho. Ela sabia que qualquer passo em falso a deixaria escancarada para aquelas pessoas a julgarem. Ela ouviu então alguém dizer:
– Ela deve estar com esse outro ai da mesa ao lado…
Nienna olhou para o lado e viu um homem encapuzado com profundos olhos azuis. Ele bebia algo em uma taça. Um anão se aproximou dele e uma discussão começou. A atenção de um lado da Hospedaria se voltou para eles quando o capuz do homem caiu quando ele se levantou de solavanco. Era um elfo! Que sacou logo sua espada cimitarra frente aos insultos do anão. Nienna sentiu que o elfo não faria nada, mas os olhares já estavam sobre ele e o anão, e é claro, sobre Nienna. Novamente ela ouviu:
– Melhor chamar os guardas não?
Ela sentiu a ameaça iminente de ser metida na confusão e se levantou. Ela caminhou na direção do elfo e do anão e os ameaçou:
– Se não pararem com isso agora chamo meus camaradas vestidos de preto que estão ali – ela disse isso apontando para aqueles homens que a assustavam – e acabo eu mesma com isso.
O anão saiu resmungando e o elfo, após fazer menção de apontar sua arma à humana guardou a espada olhando fixamente nos olhos dela:
-Como posso confiar em você?…
Ela disse para ele confiar nela… Imediatamente uma outra confusão começava na hospedaria. Do outro lado espadas começaram a reluzir sob o fogo das tochas. Os homens de preto lutavam contra a garçonete e outros homens. Dois eram sem dúvida bárbaros das planícies. Obviamente forasteiros. Os gritos começaram:
– PRENDAM OS FORASTEIROS! SÃO SERVOS DOS DRAGÕES!
– SALVEM NOSSA CIDADE!!!
Nienna estava desconcertada. Não havia muito o que fazer, exceto se afastar o máximo da multidão em fúria e medo. Mal ela se deu conta já estava ao lado da garçonete, dos dois bárbaros, de um alto homem pálido e de um jovem rapaz que os conduziu para o fundo da hospedaria. Eles estavam fugindo… E foi assim que começou sua inesperada aventura.

Published in: on Fevereiro 4, 2010 at 4:22 pm  Deixe um Comentário